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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Esta juventude de hoje em dia por José Luís Peixoto

Ando desde o dia 01 de Janeiro a ler o livro Abraço de José Luís Peixoto, ainda não tinha lido nada dele e estou a gostar. Tem textos que adoro, outros que nem por isso, mas na sua generalidade é muito bom. O livro tem 655 páginas e vou na 357, mas hoje apetece-me deixar convosco uma parte do texto chamado "Esta juventude de hoje em dia".

"Não passámos por aquilo que vocês passaram. Vivemos neste mundo confortável que construíram para nós. Sim, porque foram vocês que nos trouxeram pela mão a este lugar onde, com uma licenciatura, dezasseis anos de escola, podemos aspirar a dobrar camisolas na Zara, a arrumar livros na Fnac, ou, fardados, fugir dos clientes que procuram informação no Ikea. Com sorte, um contrato de seis meses. Com sorte, um estágio não remunerado. Nós somos privilegiados."


E quem escreve assim não é gago, tenho dito.

9 comentários:

Alexandre disse...

É realmente um bom escritor! :)

Bom fim-de-semana!

Nokas disse...

Demais!!

S* disse...

Triste verdade.

coquinhas disse...

Mas ainda há quem ache que nós, jovens de hoje em dia, temos uma vida muito facilitada. O pior é o pior :/ beijinho querida

Petra disse...

Tão certo.

Fernanda disse...

Os restaurantes da moda estão cheios com os jovens que ganham 500 euros, ou menos, ou nada! Os bares mais in estão cheios com os jovens que ganham 500 euros, ou menos, ou nada! Quem paga? Há 40 anos atrás, nem 10% dos jovens frequentavam o liceu e eram menos ainda, os que frequentavam a Universidade e se licenciavam. Eram tão poucos que não era difícil arranjar emprego na sua área de especialização. Todos os restantes trabalhavam, por uma côdea, nas fábricas ou no comércio e os únicos restaurantes que frequentavam eram "o tasco da esquina" onde "matavam" as arguras duma vida dura (muito dura, perguntem aos vossos pais e avôs) em copos de vinho, e as festas eram os bailes das ruas e dos becos onde moravam. Vida dura a vossa? Que se sintam frustados, compreende-se e lamenta-se, mas a vossa vida não é de longe nem de perto, pior que a dos vossos pais e avôs, pelo menos da maior parte deles. Hoje em dia os pais ajudam os filhos, sustentam-nos até bem tarde (pela dificuldade em arranjar emprego) antes, se o filho não arranjava emprego que se fizesse à vida de qualquer maneira! Conheci tantos assim!É difícil? É! é triste?É! Não se vê a luzinha ao fundo do túnel? Também não! Mas onde estão os jovens a lutar pelos seus direitos? Tudo o que a geração anterior conseguiu foi fruto de muita luta, de muitas prisões, de muitas reivindicações. Nada foi dado de "mão beijada" nem pelos lindos olhos. Hoje, está a perder-se tudo o que se consegiu em mais de 50 anos e, quem está a perder, acomoda-se, não mexe uma palha. Queixar só não basta!

Panda disse...

São lutas diferente sem dúvida Fernanda. Concordo com o que disse, o meu pai e a minha mãe foram dos que passaram fome e começaram a trabalhar aos 10 anos. A minha mãe levou 6 meses a pagar a farda. Eu comecei aos 14 anos, desde os 17 que me sustento sozinha, tirei curso e para o que estou a fazer não precisava, lá está, são queixas diferentes.

Fernanda disse...

Panda, não falava obviamente de ninguém em particular, mas daquilo que observo no dia a dia. Claro que é lamentável e frustante perderem-se anos de estudo e, quem sabe, muitas mais valias, de jovens que muito poderiam fazer por este país que tão precisado está de valores, a todos os níveis. Do que falei foi exatamente daquilo que refere: é difícil, é frustante mas continuo a dizer que anteriormente foi pior (os seus pais são disso exemplo), hoje, apesar de tudo os pais vão tentando minimizar a situação e ajudando porque, ao contrário dos seus próprios pais, têm alguma capacidade de o fazer. Está bem? Claro que não! E é por isso que eu me admiro de tanta passividade (atenção que não estou a falar de atos de violência, sejam eles quais forem). Leio o seu blogue há muito tempo e, parece-me uma menina com a cabecinha no lugar e bastante responsável. Se assim não o considerasse, tão pouco a leria. Tenho certamente idade para ser sua mãe e, portanto já não tenho paciência para futilidades.Por isso não me referia de todo a si.Bj

Frutinha disse...

nunca li nada dele, shame on me, mas agora fiquei muito curiosa :)