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domingo, 25 de setembro de 2011

A minha epifania enquanto licenciada desempregada

Já tive algumas epifanias na vida. Para quem não sabe é uma súbita sensação de compreensão de alguma coisa. A mais forte que tive veio através de uma conversa com o meu marido, na altura namorado, em Janeiro de 2008. Eu estava num estado deplorável. Tinha passado 5 anos a trabalhar e a estudar muito, em que pouco ou nada gozei a minha juventude, deixando toda a gente orgulhosa e convencida de que valeria a pena o sacrifício.
E depois para acabar o curso tive de estagiar 4 meses gratuitamente (para quem não vive às custas dos pais nem que seja um só mês a gastar sem ganhar é duro), e comecei a procura de emprego na área. E sabe Deus que me candidatei a tudo, devo ter enviado sem exagero uns 2000 currículos. E fui a umas 20 entrevistas em meios de comunicação social locais e nacionais, e todos queriam um estágio mínimo de 6 meses sem ganhar e depois se veria. Com estas coisas já eu estava há 6 meses sem ganhar e não podia sujeitar-me a outros seis! Comecei a enviar currículos para qualquer área e aceitei emprego numa loja. E o tempo foi passando e não surgia nada na minha área e eu chorava quase todos os dias. Chegava a casa do trabalho e chorava.
E um dia o meu namorado farto de me ver chorar disse-me: "Tu só serás feliz quando aceitares o que fazes, quando vires que o que fazes não é mau e que quem está na área que trabalhas gostava de ter o teu horário, o teu salário garantido com tudo pago a 5 minutos de casa, quando vires que não trabalhar naquilo que estudaste não é de todo a pior coisa do mundo."
E pronto eu tive uma epifania e vi que o que ele dizia era verdade. E passados 4 anos ainda lá estou. Ainda não valeu a pena trocar de trabalho. O único contra é não estar na área que estudei, não precisava de aulas de Semiótica para fazer o que faço, mas de resto desde o momento em que nós aceitamos orgulhosamente aquilo que fazemos vemos o lado bom, é aquilo do copo meio vazio ou cheio.

E isto está enorme e ninguém vai ler.

29 comentários:

O Peru Ressabiado disse...

Eu li. E da parte de alguém que acaba agora um curso de mais de 5 anos e está a reavaliar outras hipóteses e aquilo que quer na vida, I know what you mean..

*Lili* disse...

Eu também li e continua a achar preocupante que alunos universitários não tenham saídas profissionais...enfim <-<

http://realdreams-liliana.blogspot.com/

100 Pretensões disse...

Compreendo e já me vi exactamente na mesma situaçao, a trabalhar igualmente numa loja a 2 minutos de casa, depois de muito me lamentar percebi o mesmo que tu.
Agora já não é assim mas continuo a dizer que gostei muito de trabalhar numa loja, de decoração no caso :)

**

Princess Charming disse...

Assusta-me tanto essa realidade tão cruel... :(

C. disse...

Eu li. E apesar de ser, por enquanto, uma jovem universitária, já me consciencializei de que se calhar nem vou encontrar emprego na minha área, pelo que tudo o que vier será bem-vindo :)

Helena disse...

a epifania que tiveste chama-se humildade. Mais vale tarde que nunca, pois há quem prefira ficar sem fazer nada e achar-se um coitado o resto da vida. kiss

S* disse...

Querida Panda, temos de compreender que um curso não garante o emprego dos nossos sonhos. Por agora, tenho a sorte de trabalhar no que quero... e sou muito feliz assim. Mas sei que não terei a mesma sorte sempre. O que importa é trabalhar, ter um salário, organizar a nossa vida, gerir as nossas contas. Um trabalho deve ser, idealmente, um prazer. Mas também não tem de o ser. Se tivermos de trabalhar noutra coisa, não vem mal ao mundo disso. Não me importaria. Até porque, arranjar um outro trabalho não me impede de continuar a lutar pelo jornalismo. Não te sintas mal, esse pensamento é perfeitamente natural.

A minha mana, por exemplo, licenciou-se e, passado um ano, continuava a não ter trabalho na área. Então pôs-se a trabalhar numa loja de roupa, pôde concretizar a vontade de ir viver junta... e agora vai abrir uma loja só dela. Os sonhos somos nós que os construímos. :)

Mimi Macaca disse...

Eu li tudo... porque contaste, resumidamente, a minha história =) *******

Sílvia disse...

Eu li tudo, e concordo com tudo o que disse a S*. O importante é termos um trabalho e organizarmos a nossa vida, e temos que aprender a viver com isso mesmo que não seja o que idealizamos. A partir daí é só sermos felizes :)

Ana Ferraria disse...

Eu também li!
E já passei por isso.
Estudaste Semiótica!!??? Eu também! Já agora onde?? Mas cá para nós, Semiótica serve para alguma coisa!? Só se for para brilhar em dizer à malta de engenharia e da matemática que estuda coisas aterradoras, "olha... eu estudei Semiótica" ahahahah A que nós, alunos do IADE, simpaticamente apelidávamos de Meia-Optica :)

Pimpinela disse...

eu li, e li tudinho :) concordo contigo e entendo-te, e sei como é no inicio, quando não conseguimos nada, principalmente pq cada vez é mais complicado trabalhar na nossa área.. O realmente importante é gostar do que fazemos e dar tudo nisso, e ter consciência que temos muita sorte, e as vezes não sabemos.. entendes? :)

teardrop disse...

Eu li. Hoje estou especialmente triste e envergonhada pelo nosso país. Fico feliz de teres conseguido equilibrar os sentimentos mas acredito que não trabalhar na área em que se estudou seja difícil. Keep your dreams alive :)

Sentimento de Mim disse...

E quando, com mais de 30 anos, te propõem estágio não remunerado? A mim, ainda na semana passada me aconteceu... haja paciência, que já trabalhei muito à borlix, chegou!

Patrícia Teodoro disse...

Eu li e é pena ele ter razão, é pena não sermos aquilo que seonhámos, ao menos podíamos ter experimentado e depois se não fosse o quer querimos trabalhavamos em outra área. enfim

Panda disse...

Ana Ferreira estudei Semiótica na Universidade do Minho com o Moisés Martins, que figura :D Era o cadeirão do curso, mas eu passei à primeira com a pior nota que tive na Universidade: 14... não deixa saudades a ninguém não...

Caos disse...

Fez-me mesmo bem ler isto! ( e li tudinho!) Encontro-me exactamente nesta situação e, neste momento, começo a ponderar outras opções.É difícil pois gosto mesmo do que faço, mas é bom saber que existem outros caminhos. Obrigada :)

Suspiro do Norte disse...

eu li e concordo com tudo.. e percebo-te..como te percebo :P

Petra disse...

Eu li e adorei o facto de partilhares connosco algo que te fez sofrer e amadurecer....
Um beijinho e... espero que continues feliz com aquilo que fazes... mas... nunca nunca percas esperança....

Moa disse...

li sim senhora, às vezes tb me apetece arriscar em outras áreas que não a minha pois estou cansada desta instabilidade...mas falta-me a coragem de deixar aquilo que realmente gosto :S

Dina disse...

Exactamente! A verdade é que pode ser frustrante não trabalhar na área. E se pensarmos no dinheiro que gastamos com 5 anos de estudos e que poderiam ter sido canalizados para outros projectos de vida? Mas lamentar-se não serve de nada. Há que ser feliz com o que temos, e nunca baixar os braços.... E olha que a nossa área tem salários péssimos e tanta instabilidade ;)

coquinhas disse...

obrigada minha querida panda, acho que me fez bem ouvir isso...uma vez que o meu estágio acaba sexta feira e trabalho nem vê-lo... :S obrigada. beijinhos

Ana Castelejo disse...

Pois eu li e gostei daquilo que li. Revi-me em tudo. Cheguei aqui através de um link de um outro blogue e dou de caras com este post, assim, escancarado, sem avisos prévios. Tenho quase 28 anos e também sou licenciada na dita área, também eu me sujeitei a estágios não remunerados e tive agora que recusar mais um. De momento estou desempregada e já fiz de tudo um pouco desde Call-Center a recepcionista. Sempre me queixei, está claro, mesmo com um salário ao fim do mês não era aquilo que tinha desejado a nível profissional. E não é que numa altura em que estava quase a desesperar, depois de mais uma sessão "Maria, tem 5 empregos na sua área", dos quais 4 são estágios curriculares e a única oferta remunerada exige 5 anos de experiência"...dou de caras com este post. Obrigada pelo texto e pela partilha. A mim, neste momento em particular, funcionou assim como um "abrir de olhos". Afinal também nunca percebi muito bem porque precisamos da Semiótica para sermos felizes.

Panda disse...

Ana se puder animar alguém com o post. Temos de ser realistas e ponto final. Não está fácil mas temos de seguir com a vida. Não me digas que vieste cá ter com o post na pipi sem meias? ela falou mal de mim mas arranja-me fregueses LOL

Just a Lady disse...

Noutros tempos concluir a universidade era sinal de "emprego garantido". Hoje em dia muitos licenciados têm ainda mais dificuldades para arranjar emprego do que os que só têm o 12º. Não se arranja trabalho na área que se estudou, mas há outras coisas, há que ser desenrascada.
Beijinhos*

*C*inderela disse...

eu li tudo e não podiar concordar mais com as tuas opções.
é muito chato não encontrar trabalho na nossa area depois de tanto investimento, intelectual e financeiro, mas pior é ficar em casa à espera que algo venha parar ao colo. já nenhum curso garante emprego pelo que temos ser versateis e agarrando outras oportunidades. temos que fazer pela vida e mostrar que lutamos.

bjokas

Alix disse...

fico contente por teres tido essa epifania. eu estou agora desempregada, mas já trabalhei em muitos sítios que não eram da minha área, e sempre arrisquei e mudei, não me sentia satisfeita com o que tinha, psicologicamente e financeiramente falando. depois decidi ter o bebé, e parei de trabalhar, entretanto instalou-se a crise e agora vejo-me grega para arranjar emprego. e ando à procura noutras áreas que não a minha. mas está tão difícil, que cá em Portugal quem tem um emprego, neste momento deve saber mantê-lo.

bjs*

Eu disse...

Olá Panda!
Vim parar ao teu blog através do Google quando fazia pesquisas com as palavras "licenciado e desempregado". Li o teu post e realmente identifiquei-me muito com ele, pois estou exactamente na tua situação. Também sou licenciada, no meu caso desde 2003em Geografia e embora tenha trabalhado na área até 2006 (depois não renovaram contrato)neste momento trabalho numa área que não tem nada a ver com a minha, pois após enviar "n" currículos e ir a não sei quantas entrevistas em Câmaras Municipais e afins através de concursos para lugares que basicamente tinham sempre "dono" decidi tentar outras áreas e consegui o meu actual trabalho. Tou com um salário de cerca de 600€ e com uma frustração enorme,porque é um trabalho que não gosto e com o qual não me identifico nada e pelo andar do país as perspectivas de o deixar estão cada vez piores.
Ando a ficar um bocado deprimida e o ao ler o teu post fiquei um bocadinho melhor porque me fez ver que há imensas pessoas na minha situação e que nem por isso se deixam abalar. Vou tentar ser mais positiva e tentar mentalizar-me que afinal o meu trabalho apesar de não ser o que quero se calhar não é tão mau assim, continuando claro a tentar a minha área mas tentando não me ir abaixo.
Obrigada pelo post e boa sorte para ti no futuro.

Panda disse...

Olá Eu, infelizmente somos milhares nesta situação e recentemente vi um economista a dizer na TV que quem tem um emprego mesmo que o deteste deve mantê-lo nos próximos tempos. Também ando na ordem dos 600€ mas mais vale esse que nenhum. E acredita que somos sortudas por pelo menos ter esse. E há que não nos deixar abater. Beijinho e boa sorte!

Rock Jammies disse...

Olá :) Bem... esta temática diz-me muito. Trabalhei durante 5 anos num sítio onde nunca fui valorizada, nunca tive um aumento e os últimos sócios tratavam-me por "miúda". Isso para mim foi bater no fundo. Despedi-me mesmo não tendo outro trabalho. Emigrei. E neste momento encontrei um trabalho na minha área e que realmente adoro. Não há nada como arriscar :)

www.rockandjammies.blogspot.pt